11/11/2011
Pela manhã sou mais viva. Sinto, Tato, Olfato, Paladar muito mais aguçados; o pensamento mais fresco; o olhar mais atento. Acordo com o cheiro concentrado do café novo. Cheiro de dia novo. Inspiro de novo e sugo a umidade do ar. E quando solto, flutuo. Por um instante eu não sei de ontem nem de depois, posso ser só isso. E ser só isso tem gosto de alívio. Um quê de sagrado, um quê d’amour.
A manhã tem o gosto exótico do recomeço. Amor de manhã é mais exótico, não é, querido? Começar amando é mais intenso que se amar despedindo. Só a noite tem a força da entorpecência e da fantasia que beira a inconsciência livre. Mas a manhã é óbvia, e por ser tão óbvia, nos surpreende, em sua contextura clara e transparente. Pura Plenitude!
Desamarro os laços e abro os botões da própria pele leia mais »
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13/07/2011
Sorriu. Mas não havia sorriso. Era um algo como os caninos afiados de um bicho. Um sorriso quase rosnado. Passou-lhe também a mão no rosto. Mas não havia mão. Ao invés, haviam garras. E nas garras, unhas pontiagudas. E nas pontas, uma tentativa animalesca de ser frágil. Ou até doce. Era incerto saber se arranhou-lhe numa carícia ou saber se acariciou-lhe num arranhão. Não era isso que importava. Por isso, chorou mansinho no quarto à noite. Ronronou. Não havia razoável entendimento de sua tentativa animalesca de ser frágil sem que antes se pudesse medir a fragilíssima dor de se ser animal, ou, um e outro: Essa coisa difícil que é ser gente. Essa dificuldade gentil de se tentar ser. E ser.
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26/06/2011
Me perdia por te perder.
E assim, por me perder…
perdia você.
Amor: essa tautologia!
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12/05/2011
Quandor houver passado
também a estação do amor,
sê delicado ao pisar
as folhas secas d’outono.
Entre elas, camuflado,
Tão leve, frágil e
trincado quanto,
há sempre um coração.
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03/05/2011
Amores antigos são como cacos de vidro. Os vestígios não se dissolvem no ar, não evaporam como gota de chuva, não se decompõem no chão. Um dia você passa pelo cômodo e um fiasco minúsculo arranha o pé. Tão delicadamente que mal se percebe,mas tão invasivamente que é difícil se livrar. Fosse maior, a gente puxava, sangrava, esquecia mais uma vez e só.
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24/04/2011
O gesto que eu mais gosto que vem de você é quando você pede pra me ver pela janelinha da webcam quando a gente não tem tempo pra se encontrar. Dispensa qualquer palavra, mas a verdade é recíproca: Você também me deixa muita saudade! Aquela saudade!
=]
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13/04/2011
Quem foi que classificou tão errado a saudade? Não deveria ser substantivo, muito menos abstrato. Deveria ser verbo-de-ação-concreta-com-sujeito-e-complemento-com-início-meio-e-fim!
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12/04/2011
Eu sinto vontade de chorar a cada vez que me lembro de você. Por algum motivo eu deixei todas as lágrimas salgadas se acumularem como um iceberg no fundo do meu coração confuso, com uma ponta aguda na tangente da superfície. Talvez seja minha maneira de guardar eternamente sua importância.
Eu sempre mensurei o valor de uma amizade: Conheci primeiro sua leveza. Agora sei também seu peso. Talvez você ouça alguém dizer que sente pouco. Mas eu não me importo, eu continuo a sentir, e sentir muito. Saudade, sobretudo. E a falta sem cura é meu preço alto. Mas você ainda deve saber que não vejo a vida por esse ângulo: É sempre uma aprendizagem. Sempre.
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08/04/2011
Meu compasso é tango. Um passo a meu favor, avanço dois. Um passo contra, regresso três.
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07/04/2011
“Ela já estava saindo de carona. Era tarde. Eles se abraçaram. Ela tremeu no abraço. Foi o equivalente a uma descarga elétrica. Ele a segurou nos ossos. Não na carne. Segurou nos ossos. Não nos ossos dela. Ele a segurou nos ossos dele. Não aconteceu despedida. Ele prometeu passar no salão qualquer dia desses.”
Carpinejar
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